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O dia do embarque: Costa Mediterranea

Depois de uma noite mal dormida, por conta da ansiedade e pela movimentação de sexta-feira à noite na cidade, acordamos e começamos a arrumar as coisas, e deixar tudo pronto para depois do café da manhã somente voltar ao quarto para buscar as malas. No café da manhã, tudo muito bem servido e uma bela mesa com especialidades italianas de café da manhã, mas o que nos surpreendeu foi a reação do senhor que cuidava do restaurante, que nos expulsou falando em italiano que o horário de café da manhã já havia terminado e não poderíamos mais ficar ali. Foi extremamente sem educação, mas preferimos levar na brincadeira e dar risada do jeito italiano do velhinho mexendo as mãos, isso renderia assunto para alguns dias de Crew bar no navio.
Recepção do hotel
Buscamos as malas e fomos para a recepção, onde cerca de 20 tripulantes (que surgiram do nada) esperavam o transfer que viria nos buscar e seguir para o porto. O ônibus chegou alguns minutos depois do esperado, trazendo outros tripulantes, eram pessoas de diversas nacionalidades para diversos departamentos. Rumo ao porto de Savona, a estrada era enfeitada com um plano de fundo do mar mediterrâneo, estávamos atentos ao que surgiria depois de cada curva que fazíamos entre as montanhas da pequena serra, e em uma delas, foi possível avistar um navio da Costa, enorme, imponente e assustador; estava longe, mas essa era a impressão que tínhamos, com o aproximar do ônibus, avistamos um segundo navio, menor, mas também surpreendente. Era o Costa Mediterranea, o nosso navio, aquilo que seria a nossa casa nos próximos 8 meses.
Eu, Julio e o William, na entrada do navio.
Chegando ao porto, percebemos que os navios eram maiores do que pareciam; desembarcamos todas as malas e ficamos esperando que liberassem a saída da tripulação e entrada dos novos “marinheiros”. Na porta da gangway, estava a crew purser com os crachás, recolhendo os passaportes e documentos de todos. Fomos informados de que o dia seria intenso e com muitos treinamentos e no fim da tarde, teríamos o Drill de passageiros. Após passarmos pela gangway, os representantes dos departamentos, vieram buscar os novos tripulantes para entrega de documentos, exames e preencher os papéis necessários, no caso do restaurante era o Mike, um filipino muito gente boa, que ajudaria bastante nos próximos dias.
No caminho de um lugar ao outro, tive uma das melhores surpresas que podia ter no primeiro dia a bordo, encontrei o Alan, um amigo que conheci durante o STCW que fiz no Rio de Janeiro, e que me chamou com um grito quando me viu. Conversamos por dois minutos, o suficiente para me deixar mais tranquilo, sabendo que o navio era bom de se trabalhar, o grupo de brasileiros era pequeno, mas que o César, amigo que conheci no Costa Campus, também estava a bordo.
Meu “nametag”, “Crew pass” e cartões telefônicos
comprados dentro e fora do navio
Fiquei ainda mais feliz, pois a enfermeira do navio era brasileira, a Thais, extremamente gente boa e se tornaria uma grande amiga a bordo. Depois de todos os exames prontos, o Mike nos levou até o Buffet onde estava o Elman, Buffet Supervisor, um hondurenho com fama de não gostar de brasileiros. Nos tratou bem e disse que nos esperava no Buffet mais tarde. Após as apresentações de grande parte do navio, fomos buscar os uniformes, nametag, crew pass e pegar a chave da cabine. Deveríamos comer algo muito rápido e ir para o Training Room, para os treinamentos com procedimentos de segurança e afins. Foi um treinamento chato para quem já estava cansado por conta do fuso-horário e as horas sem dormir direito, e o pior, o treinamento era dado por um oficial italiano, chamado William, com um inglês muito difícil de se entender, quando não está acostumado com o sotaque.
Terminado o cansativo treinamento, estava na hora de começar o drill, mas não participaríamos, pois haviam nos liberado para descansar um pouco. Teríamos de nos apresentar no Buffet às 21h e procurar pelo Buffet Supervisor. Este tempo foi suficiente para dormir um pouco e renovar as energias; a essa altura eu ainda não conhecia o meu cabin mate, mas sabia que não era brasileiro e nem tão organizado. Não sabia que nacionalidade seria, mas por conta do que tinha ouvido antes, não queria que fosse um indiano.
Um pouco antes das 21h eu já estava com o William no Buffet, encontramos o nosso supervisor Yogesh Poojary, indiano. Foi um pouco difícil de entender o sotaque dele no começo, mas ele parecia ser gente boa; nos deu algumas instruções e mostrou como funcionava a área do Buffet e cozinhas, perguntou algumas coisas em relação ao que tínhamos feito antes em na vida e a trabalho. A nossa função no primeiro dia foi bem simples e quando era meia-noite, ele nos liberou para descansarmos e acostumar em relação ao fuso-horário.
MIKOMI: Caixinha de som do
meu cabin mate, não aguentei (risos).
Eu não queria saber de conhecer o navio ou falar com ninguém, estava exausto e fui direto para a cabine. Quando entrei na cabine, meu cabin mate já estava dormindo, acordou quando entrei e afastou a cortina para ver quem eu era. Pra minha alegria (#SQN), era um indiano! Eu não tenho problemas com outras nacionalidades e perceberia isso com o passar do tempo, mas de tanto ouvir falarem mal dos indianos, acabava rolando um certo bloqueio. Ele tentou conversar e perguntar algumas coisas, mas eu não entendia quase nada do que ele falava, o sotaque era realmente difícil, lembro que entendi algo como “my friend” e “change”. Eu sabia que não ficaria na mesma cabine que ele, pois confirmando o que diziam sobre a nacionalidade, a cabine cheirava mal e seria complicado de ficar por muito tempo. Acabei indo dormir e me preparar para o dia seguinte, que começaria às 11h, pois eu trabalharia no fechamento da pizzaria até às 02h da manhã, com breaks durante o dia é claro.

Nos próximos posts, tentarei contar de uma forma mais resumida como foram os meus dois meses a bordo do Costa Mediterranea até que fui transferido. Em posts separados, falarei das cidades/ países e lugares que passamos, como funcionam os drills, alguns momentos a bordo e outras dicas que forem surgindo. Caso tenham dúvidas em relação a algo em especifico, fiquem à vontade para perguntar aqui, no nosso Facebook ou instagram e eu farei um post para respondê-las.

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Bruno Miguel
Já morei numa casa de lata flutuante onde o maior prazer era descobrir os sete mares. Trabalhei nos maiores eventos esportivos do mundo e vi o Bolt voando para mais um ouro no Rio de Janeiro. Hoje viajo o mundo sem data de volta para casa, na verdade, tenho chamado o mundo de minha casa. Não conto quantos países conheci pelo número de carimbos no passaporte, pois às vezes conheço dez países dentro de um só. Mergulhador e amante do oceano, amo aprender novos idiomas e coisas novas e escrevo sobre algumas das minhas aventuras no Na Proa da Vida.
http://www.naproadavida.com/

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