Costa Serena: o começo. Um novo navio após um transfer confuso

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Atualizado em Jan 17, 2021

Por: Bruno

Atualizado em Jan 17, 2021

Por: Bruno

E então começava uma espécie de segundo capítulo na minha vida a bordo
Se eu for contar por navio, esse é o segundo capítulo da minha vida a bordo, mas se fosse contar por histórias que aconteceram no Costa Mediterranea, estaria em um capítulo muito à frente.
Após toda a confusão no transfer do Mediterranea para o Serena, partíamos com a nossa casa de lata saindo de Savona, que continuaria sendo o nosso Home Port. Eu já havia pego o uniforme novo e já tinha a chave da minha cabine, deveria estar no buffet por volta das sete horas, assim como havia informado o Romell, PH secretário do maitre.
Costa Serena: o começo. Um novo navio após um transfer confuso

Costa Serena no porto de Punta del Este, Uruguay.

Costa Serena: o começo. Um novo navio após um transfer confuso

Após o drill, o qual não participamos pois estávamos trabalhando, fui para a minha cabine. No Costa Serena tinha uma cabine maior e mais bonita que a do Mediterrânea, tão limpa que parecia que eu estaria sozinho na cabine. Porém, quando vi a cama de baixo, parecia uma pequena prisão, uma solitária para ser mais exato. Era coberta com diversos panos pretos, e algo como um arame, para evitar que qualquer raio de luz entrasse naquele espaço, achei que não tinha ninguém pelo silêncio, até que uma criatura estranha com um grande topete e olhos puxados resolveu olhar o que acontecia fora daquela caverna.
Era o meu novo cabin mate. Sabia que era asiático, não conseguia identificar de onde. Ele tentou falar algumas coisas, que eu não entendia por conta do sotaque e dificuldade que ele tinha com as palavras, mas foi o suficiente para saber que o nome dele era Pong e ele era do Vietnã. Eu saí por uns minutos para falar com o William e Júlio, quando voltei ele já havia saído.
Eram 18:15 e o telefone da cabine tocou, e uma voz feminina em português me disse:

– Oi, Bruno! Você está quinze minutos atrasado para o seu primeiro dia de trabalho a bordo! Eu não entendi nada, pois o secretário havia informado que o horário era às sete, então falei isso e perguntei quem era.

– É a Michele, sua “buffet supervisor“. Preciso que você venha à sala do maitre, no terceiro andar em alguns minutos.

Por essa eu não esperava. Me troquei rápido, liguei para os dois e subimos para o restaurante Vesta, onde ficava o Office do maitre. Lá, estavam os supervisors, 2nd maitres e o maitre Rocco Palumbo, gordo, grande com uma cara de italiano mafioso e de poucos amigos. A conversa, coisa rápida, só pra sabermos quem era quem, falar como funcionava o restaurante e outros detalhes que deveríamos saber.
Depois da conversa, fomos para o buffet e, depois, novamente para a pizzaria, como se fôssemos new hires. Eu não conseguia trabalhar direito, me sentia mal pela saída do Mediterranea. Não conseguia me concentrar e parecia que não ia passar tão cedo. O Giovanni, supervisor peruano, era gente boa, mas fazia umas piadas que não eram engraçadas.
Tudo que eu queria naquele dia era descer pra cabine e dormir, pois o dia havia sido longo e difícil. Na cabine, o meu cabin mate já dava sinais de que não seria uma companhia normal e nada agradável para dividir os próximos seis meses.
Navio de Cruzeiros em Savona, porto principal da Costa Cruzeiros | Costa Serena: o começo

Navio de Cruzeiros em Savona, porto principal da Costa Cruzeiros | Foto: Green Turtle

Costa Serena: o começo. Um novo navio após um transfer confuso

Dois dias se passaram e nós não tínhamos notícias da Débora. Fui ao Crew Office perguntar à Adriana o que havia acontecido com ela que me disse que a Débora tinha passado a noite em um hotel em Savona para esperar e finalmente embarcar no Fascinosa. A notícia era ótima, pelo menos uma coisa boa havia acontecido naquele dia tão confuso de transfer e nós havíamos conseguido o que ela tanto queria.

Os cruzeiros do Costa Serena eram sempre iguais: de sete dias e começavam sempre no domingo, na seguinte ordem: Savona, Palermo, Civitavecchia, at sea, Palma de Mallorca, Valência e Marseille. Eu não imaginava como seria estar sempre nos mesmos lugares, nos mesmos dias da semana, já que no Mediterranea cada cruzeiro tinha o itinerário diferente do outro.
A primeira semana, recheada de trainings, passou bem mais rápido que a primeira no Mediterranea já estava acostumado com algumas coisas e sabia que aquela chatice era de começo. A maior surpresa dessa semana cheia foi que me colocaram como parte do Fire Team em caso de emergência e para efeitos de Port Manning. Eu não fazia ideia do que teria de fazer, só vi que não era coisa boa e tinham poucas pessoas nessa função, caso eu quisesse trocar de PM com alguém para poder sair.
Fire team a bordo de um navio | Costa Serena: o começo

Fire team a bordo de um navio | Foto: Cruise Ship Jobs

Nos primeiros dias a bordo do Costa Serena eu já tinha visto as pessoas que conhecia dos grupos no Facebook e as dos cursos antes de embarcar, como a Andressa e a Cris. Todos me zoavam quando eu falava que o meu cabin mate era o Pong, não porque ele era gay, mas porque ele era bem estranho e tinha uns costumes bem peculiares. Eu tentava entender isso, pois há um choque de culturas enorme entre Brasil e Vietnã, é tudo muito diferente.

Independente de navio, supervisores, cabin mate, rota dos cruzeiros ou qualquer outra coisa, ainda faltavam cinco meses e meio para o término do meu contrato, então, só me restava aceitar e me acostumar com aquilo.

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Somos Bruno & Vic, dois viajantes que se conheceram e se apaixonaram trabalhando a bordo de um navio de cruzeiros. Em 2016, saímos em uma viagem ao mundo e, desde então, levamos a nossa vida na estrada. Entre caronas, voluntariados e trabalhos online compartilhamos nossas inúmeras experiências e pouco dessa vida nômade aqui no Blog Na Proa da Vida, veja mais

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Publicado em: Atualizado em Jan 17, 2021
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Categorias: Trabalho em Navios
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Bruno
Já morei numa casa de lata flutuante onde o maior prazer era descobrir os sete mares. Trabalhei nos maiores eventos esportivos do mundo e vi o Bolt voando para mais um ouro no Rio de Janeiro. Hoje viajo o mundo sem data de volta para casa, na verdade, tenho chamado o mundo de minha casa. Não conto quantos países conheci pelo número de carimbos no passaporte, pois às vezes conheço dez países dentro de um só. Mergulhador e amante do oceano, amo aprender novos idiomas e coisas novas e escrevo sobre algumas das minhas aventuras no Na Proa da Vida.

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