E então eu era um tripulante! Por: Henrique Godoi

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Atualizado em 29/06/2021
Por: Bruno

Atualizado em 29/06/2021
Por: Bruno

Olá, aqui quem escreve é o Henrique Godoi. Sou um tripulante de navio da MSC CRUZEIROS e ex-tripulante da Costa Cruzeiros. Vou contar a minha história de quando virei tripulante de navios de cruzeiro nesse post chamado “E então eu era um tripulante!”. Porém, pra contar a história eu preciso contar uma pequena historinha antes. 

Let’s Go!
Imagina um moleque que queria ser um marinheiro, pirata, capitão ou apenas um marujo mas que, porém, morava em São Paulo e só via o mar em feriados. Pois é, esse era eu. Então, deixando o sonho do mar de lado, fui me arriscar no futebol e deu certo. E, quando as coisas começaram a dar realmente certo, minha mãe resolveu me dar uma notícia que pra mim era uma surpresa muito grande:
– HENRIQUE, ESTAMOS INDO MORAR NA PRAIA NO FINAL DO ANO!

E então, pelo começo da história, vocês devem imaginar que eu amei a ideia né? Não! Na verdade eu odiei porque tinha uma vida muito boa em São Paulo. Eu ficava todos os dias com a minha avó, jogava meu futebol, tinha uma namoradinha
 e adorava o lugar onde eu morava.
Godoi - Tripulante de Navios. E então eu era um tripulante.

Cabin Party com PHs e Indonésios – Costa Serena

Lembro que, quando cheguei na Praia Grande, onde moro hoje, era um dia chuvoso e meu apartamento estava todo ferrado porque ainda estava sendo reformado. Nossa, foi horrível. Fiquei em depressão por 4 meses, meu Deus, como eu amava São Paulo e, na realidade, ainda amo demais, mas vamos lá ao restante da história.

Eu amava o surf mas não sabia surfar. Uma vez, voltando de São Paulo, passei em uma banquinha e lá tinha um filme de surf do Mick Fanning. Lembro que cheguei em casa e fui assistir mais e, neste dia, decidi que eu queria aprender de vez a surfar. Depois dessa decisão eu fui todos os dias no mar, e aí adivinhem…

Praia Grande, São Paulo

Praia Grande, São Paulo

Eu estava mais e mais apaixonado por aquela coisa linda da natureza. É engraçado como me sinto bem estando no mar e, foi aí que decidi que eu queria trabalhar em algo que eu pudesse ter contato com o mar.

Nesse tempo pós depressão eu fui conhecendo uma galera. Conheci uma menina que me apresentou todos os amigos que tenho hoje na cidade. Entre todos que conheci tem uma em especial que foi uma garota que transformaria minha vida, que viria a se tornar minha maior parceira, ANDRESSA FELIX, minha melhor amiga. Eu, ela, Natalia e Lalesca decidimos que iríamos trabalhar em navio de cruzeiros. Cara, foi demais, eu tinha descoberto algo que eu pudesse estar no mar, isso era incrível.

Dessa - Camp Nou - Barcelona

Henrique e Dessa no Camp Nou em Barcelona.

Começamos a fazer tudo que precisava pra poder embarcar: cursos, documentos, grana e garra, precisaríamos disso, afinal, não é fácil ficar 8 ou 9 meses longe da família.
Fomos pra Curitiba, acordamos cedo para a entrevista e passamos na entrevista para a Costa Cruzeiros como cleaner. Não é um cargo muito glamouroso mas, com 18 anos e podendo ir treinar seu inglês, conhecer países diferentes, ganhar em dólar! Quer mais que isso? Mesmo que fosse pouco, estava ótimo, iria em qualquer posição.
 
Godoi - Tripulante de Navios. E então eu era um tripulante.

Conseguimos todos os documentos e passamos em todos os testes. A primeira a ser chamada foi a Dessa e, quando isso aconteceu, eu fiquei ansioso de verdade. Minha neguinha estava indo embora e aquele vazio ficou de novo. Lembro que estava em horário de almoço (eu trabalhava de office boy em uma contabilidade) quando meu celular tocou. Era meu pai: 

HENRIQUE, SUA DATA SAIU, COSTA SERENA, 07 DE OUTUBRO!

Caralho, o “impossível” tinha acontecido. Isso mesmo, eu iria para o mesmo navio da Dessa. Com tantos navios para embarcar e eu fui cair no dela. A felicidade era completa, a ansiedade me pegou daquele jeito e eu tinha apenas um mês pra me preparar e ir embora.

Porto de Santos - família05 de Outubro de 2012

O grande dia chegou. Aeroporto de Guarulhos (SP) – Munich – Gênova. pois é, estava eu indo embora do país. No aeroporto aquele chororô, 12 horas de avião e eu ainda chorava. Cheguei em Gênova e não encontrava o motorista, até que avistei um cara com uma camiseta escrito “I LOVE SP”. Porra, só podia ser brasileiro. E era o Yan, PQP que cara da hora. Entramos no carro e fomos pro hotel. Me lembro até hoje, era lindo, enorme, uma italiana na recepção falando muito e eu não entendia nada, só sabia falar inglês e tinha aquele receio, coisa de quem aprendeu em curso. Quando entrei no meu quarto, uma banheira enorme no banheiro, PUTA QUE PARIU, era surreal, eu estava na Itália, ouvindo um som e relaxando em uma banheira, tem noção do que era aquilo? 

Costa_Favolosa_Punta

Navio da Costa Cruzeiros

Então eu era um tripulante: 07 de Outubro de 2012

Chegou o GRANDE DIA! No porto, aquela coisa enorme, parecia um prédio deitado, meu Deus como era grande, várias pessoas diferentes, vários sotaques de inglês, caramba, onde estou? Cheguei em uma sala e era uma mistura de pessoas pensando: “UFA! ESTOU AQUI DE NOVO”. E outras com o mesmo pensamento que eu: “MEU DEUS, ONDE ESTOU?” haha.
crew in Casablanca

Casablanca, Marrocos – Mesquita Hasan II


Tá curtindo esse post “E então eu era um tripulante…”?
Leia mais:
Manias da Vida a Bordo: Os gestos dos italianos com as mãos

Francesco chega, um dos italianos mais FDP que já conheci e começa a falar todas as coisas que deveríamos saber dali pra frente. Era importante, mas eu estava com tanto medo que nem lembro o que ele falou. Depois da aula eu desço na lavanderia pra buscar meu uniforme e, quando eu saio do local do uniforme, quem está na minha frente? Ahh meu Deus, era ela, a Dessinha estava me abraçando de novo, eu não estava mais sozinho. Ela tinha que ir trabalhar e eu fui pra minha cabine.

Meu primeiro porto foi Civitavecchia. Que lugar mágico. Saí com a nega e lá conheci dois caras incríveis: Brunão e Marcão, ali começava uma amizade boa.

Civitavecchia - Godoi - Marcos. E então eu era um tripulante.

Civitavecchia, Itália

E então eu era um tripulante…

O primeiro mês foi muito complicado, eu quis desistir na primeira semana, mas não, eu tinha batalhado muito pra desistir tão fácil. Com a amizade do Brunão, Marcão, Murilo, Gui e minha neguinha, não, não dava pra desistir e eu continuei até o fim.
Foram meses de luta mas um final de glória! Conheci pessoas incríveis, morei com pessoas incríveis, meu inglês decolou, aprendi o espanhol, comprei tudo que eu sempre quis, virei muito mais amigo da Dessa, nos tornamos irmãos, tive amizades que ficaram por lá, mas também tive algumas que salvaram, principalmente a do Brunão.
Aprendi a comer, a beber cerveja e tive o que eu sempre quis e sempre estou querendo, que é conhecimento, cultura e histórias.
Crew Party - Bar - Godoi - Jhonata. E então eu era um tripulante

Crew party no Crew bar do Costa Serena

Minha vida a bordo foi incrível! Zoei, dancei, brinquei, trabalhei demais, uma cultura de vida incrível, cresci mental e espiritualmente, aprendi muita coisa boa, briguei, chorei, sorri mas é aquilo, o importante é que emoções eu vivi!

Quando me perguntam sobre a vida a bordo, eu sempre falo coisas boas, mas vocês sabem o que mais gosto de falar? Vai lá, vive, e depois você me conta!
A  vida é uma caixinha de surpresas, têm dias que a surpresa é boa, mas têm dias que não. Isso é a vida a bordo! Vão ter dias que você quer matar todo mundo, mas vão ter dias que você quer sair distribuindo amor.
Se você gosta de falar inglês, tem sonho de conhecer vários lugares, quer se divertir de verdade, vai que vai!
Henrique Godoi: antigo POOL ATTENDANT na Costa Cruzeiros e Atual BAR WAITER na MSC Cruzeiros.

E aí, gostou do relato “Então eu era um tripulante…”? E como foi a sua experiência trabalhando em navio de cruzeiros? Conta pra gente aqui nos comentários! Se quiser ver mais fotos ou vídeos sobre a vida a bordo e outros países como Europa e Sudeste Asiático, siga as nossas redes sociais: Instagram, Facebook, Pinterest e YouTube.

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Bruno
Já morei numa casa de lata flutuante onde o maior prazer era descobrir os sete mares. Trabalhei nos maiores eventos esportivos do mundo e vi o Bolt voando para mais um ouro no Rio de Janeiro. Hoje viajo o mundo sem data de volta para casa, na verdade, tenho chamado o mundo de minha casa. Não conto quantos países conheci pelo número de carimbos no passaporte, pois às vezes conheço dez países dentro de um só. Mergulhador e amante do oceano, amo aprender novos idiomas e coisas novas e escrevo sobre algumas das minhas aventuras no Na Proa da Vida.

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4 Comentários

  1. Fernanda Ida

    Henrique querido, que bacana seu blog e acima de tudo estou super surpresa, pois Dessa é uma gatinha linda – a conheci na travessia do Preziosa e de lá prá cá sempre mantenho contato pelas redes sociais. Parabéns amigo e fi que com Deus!!!!

    Responder
    • Victória Farina

      Oi Fernanda, obrigada pelo comentário 🙂 Vamos enviar a mensagem para o Henrique, ta? Ele vai adorar 🙂 Boas viagens!

      Responder
  2. Taty Star

    Que maraaaa sua experiência, é meu sonho e tenho fluência em inglês. Suas palavras aí me lembraram o Jack no filme Titanic: “fazer valer a pena”, só faltou gritar “sou o rei do mundooooo!!!” Boa viagem!

    Responder
    • Victória Farina

      hahahaha que bom que curtiu a experiência do Henrique, Taty! Boa sorte na seleção e processos para entrar no navio. VAI FUNDO e se tiver medo, VAI ASSIM MESMO 😛

      Responder

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