Crônicas de bordo: briga com o indiano (fedido)

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Atualizado em 29/06/2021
Por: Bruno

Atualizado em 29/06/2021
Por: Bruno

Nesse post vou contar um pouco sobre as crônicas de bordo: briga com o indiano fedido que me tirou do sério. Espero que estejam curtindo a sequência de histórias que estou contando sobre trabalho a bordo de navios de cruzeiro.
Ahhhh a vida de Snack Steward…
Eu poderia ter ido pra vida a bordo em uma posição melhor, com uma vida mais fácil e salário maior, mas eu não sei eu teria vivido tantas coisas boas e emocionantes, conhecido as pessoas que conheci. Sendo snack steward ou não, o importante é que emoções eu vivi (como canta o senhor Roberto, que adorava cantar nos navios afora)…
Trabalhar a bordo não é somente conhecer lugares lindos, ganhar em dólar e fazer novos amigos. Dependendo do departamento em que você está e as pessoas que trabalham nele naquele momento, você pode ter muitos problemas e coisas que podem atrapalhar, fazendo até mesmo com que a gente enxergue a vida a bordo de uma forma ruim.
Eu nunca tive problemas com nenhuma nacionalidade, sempre me dei bem com quase todos a bordo, porém, a bordo do Costa Mediterranea tive um episódio que nunca esquecerei.
Mediterranea FWD pool - snack steward

Crônicas de Bordo: briga com o indiano (fedido)

No buffet, como em todo o navio, a grande maioria é de indianos e filipinos, então é sempre bom evitar problemas com eles para ter uma vida mais tranquila e até mesmo uma boa máfia.
Mais ou menos três semanas depois que eu embarquei, embarcou um indiano também como Snack, ele era mais velho mas também era primeiro contrato, e estava obcecado por uma promoção rápida.
Entrou todo errado. Querendo mandar, mudar a forma de trabalho e falar demais, nem mesmo os paisanos gostavam dele, e um dos problemas que ele tinha e pelo qual os indianos são conhecidos a bordo, ele fedia. Parecia que o perfume fedia também, quando ele subia ao buffet com gel no cabelo, como quem tomou banho, mas fedendo mais ainda, ninguém suportava.
Crônicas de bordo: briga com o indiano (fedido)
A gente nunca se deu bem, mas era eu na minha, ele na dele. De vez em quando vinha dar um palpite ou falar mal de algo. Ele infernizou o Poojary, até que conseguiu começar a fazer training pra Assistant Waiter, antes de muita gente que já estava lá há alguns meses. Eu nunca liguei muito pro training.
Mesmo fazendo o training, o Snack deve cumprir suas obrigações no buffet, e depois descer para ajudar no restaurante. Em um dia de Alternative Buffet, que estávamos no porto de Casablanca, Marrocos os trainees mais novos não desceriam ao restaurante, coisa que eles odiavam, pois tinham de ajudar no buffet lotado, que realmente era um saco e perdiam a grana extra que vinha no fim do mês, por conta do training.
Depois de toda a bagunça do jantar no buffet, cada um tinha de limpar suas estações e eu estava com a de sempre, que era passar o Mop em um lado do buffet e algumas mesas, se desse tempo, enquanto o indiano deveria limpar a máquina de sorvete e a healthy corner.
Eu já tinha me acostumado com a tarefa, e a fazia até que rápido. Quando estava na metade, cheguei próximo à healthy corner, onde estava o indiano, e ele me perguntou algo, que respondi numa boa. Ele tentou me pedir a esponja amarela que usávamos nos baldes, mas disse que emprestaria quando acabasse toda a parte do buffet. Ele não gostou, mas não falou nada.
Por algum motivo, eu tive de deixar a tarefa por uns minutos e ir até a pizzaria, quando voltei, o chão estava TODO molhado e tinham umas esponjas no chão. Não tive dúvidas, foi o indiano fdp! Ele não estava na hora, mas eu rodei o buffet atrás dele, depois de uma volta completa, o encontrei no lugar de antes, em frente à healthy corner, limpando a máquina com uma esponja na mão. Fechei os punhos, e fui pra cima dele com uma fúria que não é minha. Mas por sorte, alguma coisa me fez recuar. Em inglês, discutimos aos gritos, tão rápido que eu não imaginava que as palavras fossem sair. Parei. Respirei, e ao invés de falar mais, resolvi ligar para o Poojary, que chegou em dois minutos. Expliquei toda a situação a ele, que perguntou ao paisano dele o que havia acontecido. O indiano, já sem razão, começou a falar em hindi, e o Poojary o cortava falando “In English” “In English” toda vez.
Eu não lembro bem do diálogo, mas o Poojary perguntava o que ele tinha na cabeça, porque queria destruir o trabalho dos outros, qual era o problema dele, por fim, o Poojary o fez limpar o que havia feito e disse que passaria a situação ao maitre.
No dia seguinte, me chamaram ao Office Mess, para conversar com o maitre e explicar. O Poojary estava lá também. Eu comecei a falar, mas estava nervoso pela situação e gaguejei várias vezes. O maitre romeno não quis ouvir muito, e o que decidiu foi que o tirariam do training e dariam warning aos dois.
Depois desse dia não nos falamos mais por um tempo, até que ele veio se desculpar pelo que fez. Eu não tinha problemas com ele além desse, então, não tinha muito o que falar e desculpar.
Buffet - Costa Mediterranea2

Equipe de Snacks com o Poojary e a nova supervisora indiana. O indiano da briga é o primeiro da esquerda para a direita

Esse foi meu segundo warning a bordo, pois já havia tomado um por atraso. Seja qual for o motivo, jamais perca a razão, pense duas vezes antes de agredir alguém, isso pode trazer consequências que podem mudar seus planos para a vida a bordo, e não vale a pena perder o emprego por causa de um idiota ou outro que com certeza, você vai encontrar a bordo.

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Somos Bruno & Vic, dois viajantes que se conheceram e se apaixonaram trabalhando a bordo de um navio de cruzeiros. Em 2016, saímos em uma viagem ao mundo e, desde então, levamos a nossa vida na estrada. Entre caronas, voluntariados e trabalhos online compartilhamos nossas inúmeras experiências e pouco dessa vida nômade aqui no Blog Na Proa da Vida, veja mais

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Bruno
Já morei numa casa de lata flutuante onde o maior prazer era descobrir os sete mares. Trabalhei nos maiores eventos esportivos do mundo e vi o Bolt voando para mais um ouro no Rio de Janeiro. Hoje viajo o mundo sem data de volta para casa, na verdade, tenho chamado o mundo de minha casa. Não conto quantos países conheci pelo número de carimbos no passaporte, pois às vezes conheço dez países dentro de um só. Mergulhador e amante do oceano, amo aprender novos idiomas e coisas novas e escrevo sobre algumas das minhas aventuras no Na Proa da Vida.

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